No café, alguém entra apressado limpando os pés no capacho. Suas roupas estão encharcadas e as gotas caem no azulejo. Ele se senta próximo a janela embaçada pelo mormaço.
No exterior, um homem irritado tenta ler a coluna política, mas a tinta havia borrado e acabou virando somente um borrão.
Na calçada, uma mãe segura a mão de sua criança um pouco mais forte enquanto ela pula nas poças de água na calçada se divertindo ao ver a água dando piruetas no ar.
Na praça, os pássaros saem de seus esconderijos. O impulso de seus corpinhos rechonchudos faz com que os galhos se agitem, derramando água sobre um cachorro que dormia logo abaixo. Ele chacoalha, espirrando pequenas gotinhas sobre a grama já molhada.
Na rua, alguém espera o semáforo ficar verde, mas se distrai com o vermelho e amarelo refletidos no asfalto. Uma memória há muito tempo escondida de seu primeiro natal surge enquanto os pedestres o empurram ao tentar passar apressados. Quando o sinal fecha novamente, a lembrança desaparece.
Que demais esse exercício!
ResponderExcluirAdorei a idéia e como você executou. Eu não gosto de chuva, mas eu adoro o fato do quanto a chuva é poética.
ResponderExcluirUm abraço.
Ótimo dia para estar num café. Uma bela descrição da cena, fiquei com vontade de presenciá-la.
ResponderExcluirOii! Chuva em um ambiente protegido, calmo e com um bom cafezinho é bem mais fácil de lidar. Sempre adorei a chuva, mas nada como crescer e se dar o direito de trocar de opinião. Adorei seu post!
ResponderExcluirAbração
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